A literatura produzida por mulheres na América Latina desponta como um dos fenômenos mais significativos no panorama literário contemporâneo. A segunda edição do nosso Concurso Literário Philos Mulher 2024 não é apenas um movimento artístico e literário, mas também um processo de ressignificação cultural e resistência, no qual a narrativa feminina toma forma em um contexto do Sul Global marcado pela colonialidade, pelo machismo e pela desigualdade social.
Em um território cujas identidades culturais e sociais foram, historicamente, dominadas por vozes patriarcais e coloniais, a literatura feminina emerge como um meio de contestação e de transformação.
Nesse cenário, a escrita das mulheres que aqui se inserem não se limita a questões individuais, mas abrange um espectro mais amplo de representações culturais, sociais e políticas que refletem a diversidade e a complexidade das sociedades latino-americanas na contemporaneidade.

A coletânea “50 Escritoras Neolatinas Contemporâneas”, com pinturas de Tainá Camilo, explora a relevância da produção literária de mulheres na América Latina, enfatizando a importância de autoras e artistas que, por meio da palavra e da arte, consolidaram um espaço de afirmação e resistência cultural em seus territórios. Com foco na relevância das coletâneas que reúnem essas vozes e no papel da literatura enquanto instrumento de mobilização social, este livro pretende oferecer uma visão crítica sobre como o trabalho dessas autoras contribui para os debates sobre feminismos plurais, negritude, identidades indígenas e o olhar das mulheres para o enfrentamento da crise climática, temas essenciais para a compreensão das questões contemporâneas no mundo.
Identidades e Memórias Coletivas
A literatura produzida por nossas escritoras latino-americanas é, antes de tudo, um movimento de preservação e de construção de identidades. Ao ocupar a esfera pública, essas 50 escritoras resgatam histórias e narrativas que representam a vivência feminina, dando voz a experiências que, durante séculos, foram relegadas ao silêncio. Por meio de uma produção textual que oscila entre a ficção, a poesia, o ensaio e o relato autobiográfico, as autoras constroem um espaço de memória coletiva onde as identidades femininas são valorizadas e, ao mesmo tempo, ressignificadas.
Em particular, “50 Escritoras Neolatinas Contemporâneas” questiona as noções de gênero, raça e classe que estruturam a sociedade latino-americana, propondo uma leitura crítica sobre os papéis sociais impostos às mulheres e sobre as dinâmicas de opressão. As palavras aqui escritas tornam-se, assim, atos de resistência ao possibilitar que experiências de marginalização sejam reconhecidas e preservadas na memória cultural.
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A Interseccionalidade como ferramenta crítica é outro ponto importante dos textos aqui apresentados, traçando novas narrativas para os transfeminismos latino-americanos. As escritoras, muitas delas pertencentes a grupos indígenas, afrodescendentes e comunidades distantes dos grandes centros urbanos, integram em suas obras as complexas interseções entre gênero, raça, classe e cultura.
Essa pluralidade de perspectivas permite que as autoras de “50 Escritoras Neolatinas Contemporâneas” abordam nossa diversidade cultural e social, oferecendo uma visão abrangente sobre as questões que impactam as mulheres latino-americanas e constituindo um campo de luta artístico e multifacetado que encontra na literatura uma de suas expressões mais ricas e poderosas.
Outro destaque da nossa coletânea é a valorização das línguas originárias. A produção literária de mulheres indígenas latino-americanas ocupa um papel fundamental na resistência cultural e na preservação das línguas originárias. Em suas narrativas, essas autoras se comprometem a preservar e a valorizar as cosmologias, as histórias e as tradições ancestrais e a natureza, desafiando os processos de apagamento cultural impostos pela colonização. Ao escrever sobre suas próprias vivências e perspectivas, as autoras indígenas questionam a visão europóide e hegemônica que prevalece na literatura e constroem um espaço de afirmação identitária.
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“50 Escritoras Neolatinas Contemporâneas” contribui também para o debate sobre negritude e sobre o legado das narrativas afrodescendentes para as Américas. Nossas autoras, abordam, com profundidade, as experiências e os desafios enfrentados pelas mulheres negras em sociedades marcadas pela desigualdade racial e pelo racismo estrutural. Em suas narrativas, a herança da escravidão e as lutas contra o racismo e a discriminação são temas centrais, e a literatura se torna um meio de contestação das hierarquias raciais e de valorização das identidades afrodescendentes.
Neste sentido, o reconhecimento e o apoio à produção literária feminina não se configuram apenas como um ato de inclusão cultural, mas como uma ação imprescindível para o fortalecimento das democracias latino-americanas. A literatura feminina, ao promover o diálogo sobre temas complexos e sensíveis, oferece uma plataforma para a conscientização e para a mobilização social, reafirmando seu papel como um componente vital na luta pela igualdade e pela justiça social na América Latina.
Conheça nossas escritoras:
- Alice Biolchini —As vozes vividas
- Állisson Opitz —Amor feminino
- Ana Biolchini —Conexão. Semente do ser. Unidade.
- Carolina Ana —A Morte
- Ana Carolina Francisco —Nossos movimentos
- Ana Mattos — Aqui jaz nosso sangue latino
- Andreia Robert —Corpo Cósmico
- Ashley Polonea —Cidade. Corpo. Destruição.
- Bea Correa —Flores do lixo
- Beatriz Paoliello Fernandes dos Reis — Minha casa, minhas neuroses
- Bruna Stein Ciasca —Pelas mãos de Mulheres
- Camila Ezídio —Sem título
- Daniela Franco Carvalho —Pausa
- Domi Valansi —Ignacio, el santo
- Gabriela Jardon —Praia Vermelha
- Giselle de Castro de Carvalho — Escritora por acaso, depois por gosto
- Hellen Lirtêz —Ninguém nos salva de sangrar
- Joênia Wapichana —Um ensaio acerca dos povos indígenas do Brasil
- Juana Karen —Joñoñ xty’añonbä x-ixik
- Júlia Eduarda Gouveia Rabelo de Abreu —A Terra e a minha melancolia
- Karen Moraes —Mulher
- Laís Sambugaro —Besta-fera
- Lara Haje — Como se sobrevive a uma coisa desta
- Luíza Salmon — Menarca
- María Concepción Bautista — Xch’olel osil balamil
- Maria Tereza Aigner Menezes —Berenice
- Marília Santos de Sousa —Latente
- Marina Silva —A luta de Chico Mendes permanece viva
- Marisol Cee Moh — Jats’utsil lool’lo’ob xibalbaj [Jardines de Xibalbaj]
- Maya Davy — A muitas mãos
- Monalisa Sorio —O acaso
- Nadia López Garcia — Ntuchinuu
- Paula Assis —A alma encantada das feiras
- Priscila Branco — Aurora boreal
- Raiza Barros de Figuerêdo —Praça, poesia e resistência
- Rayane da Cruz Albino — Para que tenhamos as flores
- Rena Faber —Mulher anfíbio
- Salma Soria —Embargo
- Sofia Lopes —Semente de romã
- Solange Maria dos Santos Barbosa —“…Para eles, que pavimentaram nossos caminhos…”
- Tainá Telles —Bodypiercing
- Thaís Bambozzi —Sem título [acredito nas ações do ordinário ato silencioso de fé]
- Thalita Monte Santo —Devorar a faca de poda
- Vitória Viana —Si pudiera ser niña otra vez
- Xan Marçall —Sebastiana
- Yuli Andrea Ruiz Aguilar —Manifiesto de poeta marginal
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Muito em breve, outras quatro grandes escritoras brasileiras se juntarão à nossas artistas e serão anunciadas como parte do livro “50 Escritoras Neolatinas Contemporâneas”. Fique de olho na Philos para mais novidades. Somos Philos!
ATENÇÃO: LIVRO EM PRÉ-VENDA. As entregas de “50 Escritoras Neolatinas Contemporâneas“ serão feitas após o final da pré-venda, em março de 2025.